domingo, 5 de agosto de 2012

Luiz Gonzaga também é lembrado em Paulo Afonso

O departamento de cultura de Paulo Afonso através de sua diretora Gloria Costa Lira, promoveu nos dias 27/07 até 04/08 mais um merecido memórial em homenagem ao centenário do Rei do Baião, com lançamento do livro 100 Anos Luiz Gonzaga do escritor João de Sousa Lima, além de exposições, palestras e filmes.


Ontem(04/08), a última noite de homenagens ao Rei do Baião, foi celebrada pelo Pe.Celso Anunciação uma Missa de encerramento seguida dos festejos forrozeiros dos acordes das sanfonas na Roda de Sanfoneiros, que abrilhantaram a noite com as principais músicas do Gonzagão. Sendo que, a noite pôde ficar melhor ainda com o presenteamento da sanfona(zero bala) aos Cangaceiros feita pelas mãos da diretora de cultura Gloria Costa Lira. Os Cangaceiros estiveram lá representados pelo presidente da Associação Heleno Oliveira.





Gloria Lira e Heleno Oliveira
A cultura nordestina nas suas mais diversas formas de manifestação é sem dúvida muito rica em história e encantamento, seja nas cantorias, nos artesanatos, na literatura ou nas danças, cada um de nós precisamos manter viva nossas raízes, não permitindo que nossa identidade seja alterada, mas sim apreciada e cada vez mais valorizada.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O cangaço em Paulo Afonso-Pelo professor Aristóteles Lima Santana

Independente do julgamento moral que se faça sobre os cangaceiros não há dúvidas de que o cangaço foi um fenômeno importante da história do nordeste. Nada há que se contestar em quem se dedica ao estudo sobre esse fenômeno. Em Paulo Afonso a influência do cangaço é anterior à emergência deste grupo atual. Desde os anos 50 do século passado um grupocarnavalesco chamado “Os cangaceiros” celebra os combates de Lampião em uma apresentação teatral em época de carnaval. Em várias cidades do sertão o cangaço é reinvidicado como fenômeno cultural típico e não como apologia da criminalidade.

Há, no entanto, dois paradoxos na identificação de Paulo Afonso com o fenômeno do cangaço. O primeiro é de ordem temporal: o povoamento que deu origem à nossa cidade começou com as obras da CHESF em meados dos anos 40. Lampião morreu em 1938 e o fim definitivo do cangaço se dá em 1940 com a morte de Corisco. Se em 1930 alguém dissesse a Lampião que estava indo a Paulo Afonso, ele se lembraria de imediato da famosa cachoeira e nunca desta cidade. Afirmar que Maria Bonita nasceu em Paulo Afonso é o mesmo que afirmar que ela nasceu em uma cidade que não existia em sua época.
Outra questão é que não só Paulo Afonso é uma cidade que surgiu após o fim do cangaço, mas ela é a negação de tudo o que aquele fenômeno significou. O cangaço é produto das contradições do campo, principalmente da concentração de terras, do poder dos coronéis, dos conflitos entre famílias e da miséria do povo sertanejo. A cidade de Paulo Afonso é fruto de um projeto de desenvolvimento industrial e tecnológico. É filha da modernização e, sendo assim, negação completa do tradicionalismo rural. A construção das usinas da CHESF foi um empreendimento fundamental para a industrialização do nordeste. Enquanto o cangaço é representação do arcaísmo rural, Paulo Afonso é representação do progresso urbano. Procura-se em um fenômeno tipicamente rural o símbolo para um ambiente tipicamente urbano.

O que explica a procura pela simbologia do cangaço em nossa cidade é a origem camponesa dos pioneiros trabalhadores. Existe nessa população o que podemos chamar de saudade do mundo rural. É esse saudosismo que explica a origem tanto do bloco “Os cangaceiros” como do recente movimento dos historiadores locais do cangaço.


Cena do filme Baile Perfumado

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Apresentação dos Cangaceiros em Delmiro Gouveia

Os Cangaceiros estiveram neste último dia 29/06 na cidade de Delmiro Gouveia no estado de Alagoas, para mais uma de nossas apresentações. Bem trajados e fortemente armados fizemos o confronto contra as forças Volantes, que, por mais uma vez, aproveitando-se do descuido dos cangaceiros, conseguiram acabar com o bando do Corisco. Veja as fotos abaixo.

 Meia-Noite, Criança, Zabelê e Pedra Roxa

 Dadá
 Corisco

 Zé Baiano


 Volantes


 Coreográfo e também Lampião, Júnior



 Massacrados
 Matando o cangaceiro Pedre Roxa


 Capitão Santos, comandante da volante
Heleno
Presidente da Associação dos Cangaceiros de Paulo Afonso

sábado, 9 de junho de 2012

Um pouco mais dos Cangaceiros de Paulo Afonso

Cangaceiro Catingueira

Cangaceiros em combate com a volante 

Cangaceiro Canário


Cangaceiro Sabonete 

Jararaca, Candeeiro, Sabonete, Zé Baiano e Truvão 

Volantes e Cangaceiros 

Cangaceiro Lavandeira 


Cangaceiro Pedra Roxa após ter se entregado a volante em 2011

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Semana Delmiro Gouveia em Paulo Afonso


Pela segunda vez consecutiva, a Semana Delmiro Gouveia acontece em parceria com a cidade de Paulo Afonso, que recebe um dia, dos três da programação. Tradicionalmente realizada em outubro, data do falecimento do grande empreendedor do sertão, excepcionalmente este ano, em razão da movimentação das campanhas eleitorais, os organizadores do evento decidiram antecipar a programação para o início deste mês de junho.
Em sua 15ª edição, a Semana Delmiro Gouveia, que inicia a sua programação em Paulo Afonso neste domingo (03), e segue até o dia 05 em Delmiro (AL), aproveita também para prestar uma homenagem ao centenário de nascimento de Luiz Gonzaga, nosso Rei do Baião.

No auditório da UNEB (Universidade do Estado da Bahia), a partir das 18h, acontece com os antropólogos Luitgarde Barros e Moacir Palmeira, o seminário "Desenvolvimento no Sertão do São Francisco: um projeto centenário". Os estudiosos mostrarão a importância das atividades desenvolvidas por Delmiro Augusto da Cruz Gouveia na região em várias áreas, inclusive o pioneirismo da produção de energia elétrica com a construção da Usina Hidroelétrica de Angiquinho, que completa 100 anos em 2013.
O seminário contará ainda com o diretor administrativo da CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco), Pedro Alcântara, que falará sobre os trabalhos de preservação de Angiquinho, que é patrimônio da CHESF, administrado por convênio pela FUNDEG (Fundação Delmiro Gouveia) e o empenho da hidroelétrica para o seu tombamento a nível nacional.

Após o seminário na UNEB, previsto para encerrar às 20h, a programação da Semana Delmiro Gouveia continua na Praça das Mangueiras, centro da cidade, onde haverá a apresentação de Joquinha Gonzaga, sobrinho de Luiz Gonzaga



Quando acontecerá: 03 de junho(domingo)
Onde: Às 18h na UNEB e após às 20h, na Praça das Mangueiras
Entrada grátuita

domingo, 20 de maio de 2012

Paulo Afonso é notícia na rede record-Por João de Sousa Lima

A Rede Record de televisão encontra-se em Paulo Afonso realizando um programa sobre o turismo na cidade.
no próximo domingo, dia 19 de maio, às 09:00 hs, no Programa "A Bahia Que A Gente Gosta", sairá a reportagem sobre Paulo Afonso.
Os Roteiros Cânions e Lagos", Rota do Cangaço: "Museu Casa de Maria Bonita", Gastronomia: Com a tilápia do restaurante Rancho da Carioca e Artesanato do povoado Malhada Grande, foram alguns pontos visitados pela equipe, contando com a simpatia e o profissionalismo das apresentadoras Ana Portela e Ana Paula.



sábado, 12 de maio de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Em um de meus momentos de maluquices (não tinha fumado nada) estavam em meus pensamentos coisas desse tipo:




Ê sertão de cabra valente!
mas de cabra frouxo também.

...
Ê vaqueiro amanssador de gado!
mas de muié braba também.

Ê povinho danado de sofredor!
mas alegre e batalhador também.

Ê terrinha injustiçada!
mas querida e amada também.

Vixe que poeta ruim!
mas sincero e verdadeiro também.

Após ter sido deixado pela loucura de pensar, ví que sem querer querendo deixei-me talvez ser incorporado por um espírito sei lá qual, mas com certeza era de sertanejo e vaqueiro(e dos bons).

Besteira pura, mas de primeira qualidade também.

sábado, 28 de abril de 2012

Descoberta em Jeremoabo uma irmã do cangaceiro Criança-Por João de Souza Lima

ex-cangaceiro Criança

Jeremoabo é uma cidade histórica e muito antiga, durante a Guerra de Canudos a cidade serviu de base para uma das companhias do Exército que atacaram o Conselheiro e os Conselheiristas. Em 1739 o Garcia D’Ávila doou uma grande extensão de terras para a construção da Matriz. A povoação tem em suas origens as tribos de Índios Massacará, Cahimbés e Cariris. Abastecida pela cristalina água que jorra da fonte da Pedra Furada e banhada pelo Vaza Barris.
Jeremoabo também foi palco da repressão ao cangaço, formando em suas comunidades volantes policiais que perseguiam sem tréguas os cangaceiros, sendo uma das mais famosas a volante comandada por Zé Rufino, um dos maiores matadores de cangaceiros. A cidade serviu de repressão ao mesmo tempo em que foiuma base de proteção através de um dos grandes coronéis daquela época, o famoso coronel e político João Sá.
Jeremoabo foi uma das cidades onde mais se entregaram cangaceiros depois da morte de Lampião, várias fotografias mostram esses cangaceiros na companhia de padres e policiais. Um dos grupos que se entregou em Jeremoabo foi o grupo do cangaceiro Criança. Criança aparece em fotografia ao lado de sua companheira Dulce (ainda viva e residindo em Campinas, São Paulo), Balão e Zé Sereno.

Ao centro a cangaceira Dulce, ao seu lado esquerdo Criança
Criança depois que foi liberado seguiu para o estado mineiro e posteriormente até o estado de São Paulo. Pouca coisa ficou gravada sobre esse cangaceiro e seguindo seu rastro fui encontrar em Jeremoabo, justamente na cidade de repressão ao cangaceirismo, residindo uma Irmã sua.
Joana Matilde Conceição, com 89 anos de vida, encontra-se lúcida e relembra emotiva dos tempos árduos quando com apenas 10 anos de idade viu o irmão João entrar para o cangaço.
Manuel Lourenço Xavier e Maria Matilde da Conceição, pais de dona Joana, residiam no sítio Poço Grande, em Macururé, no alto Sertão baiano. Com as perseguições policiais e os maltrato sofridos, a família teve que fugir e atravessaram o Rio São Francisco, saindo da Barra próxima a Curral dos Bois chegando a Belém do São Francisco, Pernambuco, indo por fim se arrancharem em Santa Maria, povoação entre Belém e Floresta.
Na fuga para o estado pernambucano a família deixou as criações e em um dia de sábado João e os primos Pedro e Feliciano retornaram para tentar reunir e alimentar os animais. Os três jovens não retornaram no prazo determinado. Maria Matilde ficou apreensiva com a falta de noticias dos rapazes.
Em um dia de feira na cidade de Belém, Maria e a família se encontrou com Vicente Baldo da Silva, que era irmão da matriarca e tio de João. Vicente deu a péssima notícia: João e os primos haviam entrado para o cangaço. Maria chorou copiosamente, a família se abraçou e a pequenininha Joana, com seus dez anos de idade não compreendia a situação. Vicente só não contou que foi ele quem ajeitou a entrada dos jovens para o cangaço.
João ganhou no cangaço o apelido de Criança por ser o mais jovem dos três rapazes, o primo Pedro ficou sendo conhecido como Canjica e Feliciano foi apelidado de Zabelê.

Zabelê, Maria, Azulão e Canjica
Dona Maria estava com os filhos Joana, Luiz Lourenço Xavier, Januário e Rosendo estavam na Fazenda Pinhão, próximo a Cabrobró e ficaram sabendo das mortes dos primos Canjica e Zabelê e atravessaram o Rio para Macururé para confirmarem a notícia. Em Macururé as cabeças dos dois cangaceiros foram expostas e a pequena Joana foi proibida de olhar os “Troféus Macabros” . Confirmado a morte dos dois familiares só restou a Maria rezar para a proteção do filho João que ainda estava na vida cangaceira.
Com a morte de Lampião Criança se entregou em Jeremoabo junto com mais alguns companheiros. Na cadeia o padre Magalhães aproveitou para realizar o casamento de Criança e Dulce, o matrimônio sagrada unia sob as grades da prisão dois bandoleiros das caatingas nordestinas.
Em 1968 Joana seguiu com o filho Dudú até São Paulo para visitarem João, o ex-cangaceiro Criança. No reencontro João se emocionou ao avistar a irmã que havia deixado ainda criança. O momento serviu para aliviar a saudade que por tanto tempo afligiu aquela menina-mulher, que em um dia de feira viu sua querida mãe verter lágrimas pela ausência de um filho amado que seguiu para as hostes do cangaço e na imensidão das caatingas viu a morte passar próximo e o sangue manchar a terra seca.
Dona Joana, mulher forte, baraúna sertaneja, flor de cacto que aflora mesmo diante das intempéries, anjo-mulher, que tuas dores sejam aliviadas pelo simples dom de ser uma mulher que aprendeu a amar a vida sem temer as adversidades. Tenho muito orgulho de tê-la conhecido, de ter rastreado suas histórias de vida, de ter conhecido teus segredos tão bem guardados no cofre da memória.

João de Sousa Lima e Maria Matilde da Conceição, irmã do cangaceiro Criança

quinta-feira, 19 de abril de 2012

terça-feira, 17 de abril de 2012

Lampião e Maria Bonita em imagens que você nunca viu


Imagem real do chefe dos cangaceiros, o cego de Vila Bela, o famigerado Virgulino Ferreira, Lampião. Embora a fotográfia original seja descolorida(preto e branco), com o auxílio tecnólogico pôde-se colorir, chegando a perfeita exatidão das cores das vestes de Lampião e também da cor de sua pele.


Mais uma das tradicionais fotográfias de Lampião. Nota-se nitidamente as peças de ouro na testeira de seu chapéu.


Maria Bonita(imagem real colorida por computador)