sábado, 19 de janeiro de 2013

Neco de Pautília



Manoel Cavalcante de Souza, ou simplesmente Neco de Pautília, foi um ex-integrante das forças policiais do estado da Bahia que perseguiu Lampião incessantemente por vários anos, embora Seu Neco não tenha permanecido durante muito tempo na empreitada contra o cangaceirismo. Neco pertencia as volantes nazarenas, cuja fama espalhava-se pelo sertão de serem os mais carrascos na perseguição aos cangaceiros.

Neco relembra os fatos vivenciados por ele durante sua passagem na volante com bastante lucidez, embora haja alguns pouquíssimos momentos de esquecimento propíceos de seus longíquos 100 anos de vida completados em 21 de dezembro de 2012.

A especulação de que Neco teria sido o autor do disparo em que findou a vida do cangaceiro Pó Corante caiu por terra. Segundo o próprio, no dia em que Lampião apareceu no lugarejo onde situava-se sua barbearia, Neco ao ver os cangaceiros aproximar-se alertou imediatamente seu amigo Júlio Barbeiro que encontrava-se também na companhia de Neco no interior do estabelecimento. Ao ser alertado sobre a presença dos cangaceiros, Júlio Barbeiro rapidamente armou-se com um velho fuzil que o mesmo tinha guardado em local estratégico do estabelecimento em caso de extrema necessidade. Nesse exato momento Neco não pensou duas vezes, saiu correndo desesperadamente enquanto seu companheiro Júlio Barbeiro continuava dentro do recinto com arma já em punho. Nessas circunstâncias o lugarejo todo já estava em total pavor. Correria pra todos os lados e gritos pra todos os cantos. Numa dessas pessoas que corriam temendo alguma coisa de ruim que os cangaceiros lhes pudessem fazer estava uma mulher esposa de um soldado. Lampião ao vê-la, correu atrás dela conseguindo alcança-la poucos metros adiante. Ele segurou-lhe pelo braço e disse: "EU NUM JÁ DISSE QUI NUM VÔ FAZER NADA CUM VÔCEIS?!" E logo em seguida soltou-a sem fazer-lhe mal algum. De repente ouviu-se um único disparo. Logo em seguida constatou-se um cangaceiro caído já sem vida. Ninguém viu de onde tinha vindo aquele repentino disparo. Os demais cangaceiros procuravam alguma movimentação suspeita mas nada foi detectado. A essas alturas Neco já estava em local seguro longe do alcance dos cangaceiros. E para não sair com mais alguma outra vítima, Lampião decide retirar-se da localidade sem saber de onde tinha vindo aquele fatídico disparo que acabou fuminando o cangaceiro Pó Corante.

Embora haja a suspeita entre Neco de Pautília e Júlio Barbeiro sobre a autoria do disparo, ao relatar-me o acontecimento daquele dia, Neco ainda ressaltou de forma convincente que naquele dia se quer tinha pego em qualquer tipo de armamento, a única arma que tinha segurado naquele dia foi uma navalha, somente.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Missão falida

 
Sai ontem (08/12) de Paulo Afonso às 7:00 horas com o objetivo de chegar até o povoado de São Domingos na cidade de Buíque-PE, onde faria uma visita ao ex-cangaceiro Candeeiro. Mas para isso tinha primeiro que pegar um ônibus até Arcoverde e de Arcoverde pegaria outro carro até Buíque, e de Buíque até o São Domingos eu não tinha ideia de como chegar lá. E foi isso mesmo que fiz. Ao chegar em Buíque encontrei um rapaz o qual perguntei-lhe como faria para chegar na localidade chamada São Domingos. Coincidentemente, ele me respondeu que estava indo até uma outra localidade chamada Mulungu, mas o caminho tanto do Mulungu quanto do São Domingos eram quase os mesmos. Então pude ir com ele até certo ponto, e depois teria que ir sozinho perguntando a um e a outro o caminho certo. Caminhamos e caminhamos muito, eu e o rapaz. Depois de mais ou menos 50 minutos de caminhada, ele seguiu por um outro caminho e eu tive que seguir por uma outra estrada. A partir daí estava sozinho, mas vinha acompanhado de perto pelo cansaço e principalmente pela sede.
 
 

Eu tinha a impressão de que quanto mais caminhava mais distante do povoado eu ficava. Subia ladeira e descia ladeira e nada da estrada acabar. Durante o percurso, que já se apróximava a duas horas e meia de caminhada, encontrei dois meninos tentando tirar frutos de uma árvore, e perguntei-lhes se o povoado São Domingos situava-se longe dali, os meninos me responderam que estava um pouco longe, mais ou menos 3 Km. Essa resposta me desmotivou a continuar o percurso, mas, por teimosia minha, continuei seguindo em frente.
 
 
A essas alturas eu só queria uma coisa: ÁGUA. O cansaço e a sede tentavam me empedir de continuar. Eu tentei ir mais além do que meu corpo aguentava.
Seguindo um pouco mais, encontrei um morador daquela localidade, e também lhe perguntei se o povoado São Domingos ainda estava longe, ele porém deu-me a resposta que eu não queria ouvir, "SIM, SÃO DOMINGOS ESTÁ MUITO LONGE AINDA!" Percebi que não tinha mais jeito de continuar, pois eu ainda teria que retornar tudo aquilo a pé, pegar um carro que me levasse até Arcoverde antes das 18:00 horas, pois o ônibus que vinha para Paulo Afonso sairia às 18:30 da rodoviária. Então desisti e comecei uma nova batalha, voltar tudo aquilo a pé. Sorte ou não, consegui uma carona que me levou até o centro de Buíque. E, já em Buíque, pude tranquilamente seguir para Arcoverde.
 
Minha missão de conhecer o senhor Manoel Dantas Loyola, Seu Néo, o ex-cangaceiro Candeeiro, infelizmente não se concretizou devido ao cansaço e principalmente ao tempo, pois, como já mencionei, o ônibus tinha horário certo de sair de Arcoverde rumo a minha cidade.
 
Tenho plena consciência de que talvez não terei uma outra chance de conhecer o ex-cangaceiro Candeeiro, mas tenho absoluta certeza do quanto sou obstinado e mais ainda: CANGACEIRO.
 
Esperando o ônibus em Arcoverde
 
Rapaz que me ajudou na caminhada em direção ao povoado
 
Lago quase seco por conta da falta das chuvas
 
 
Foto tirada pelo rapaz que me ajudou, o qual não sei o nome
 
Estrada aparentemente infinita
 
 
 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Segunda edição do livro: Lampião em Paulo Afonso


LAMPIÃO EM PAULO AFONSO foi o primeiro livro do Escritor João de Sousa Lima. desde 2003 que a obra encontra-se esgotada e agora em março de 2013 sai a segunda edição ampliada.
O livro narra as passagens dos cangaceiros desde a entrada de Lampião na Bahia, passando pelo Raso da Catarina. O Livro também retrata a entrada dos Índios Pankararé para o cangaço, onde homens e mulheres deixaram sua tribo para viverem a saga Lampiônica.
Depois de 10 anos de espera por parte de alguns pesquisadores e escritores o livro finalmente encontra-se no prelo e o lançamento está previsto para a segunda quinzena de março de 2013.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

21 de março de 1927, no "A Tarde"


O Padre Cicero  mandava e desmandava lá nos seus adustos domínios de Juazeiro do Norte, no sertão cearense.

Alçado á categoria de super–homem pela ingenuidade do caboclo nordestino, o velho sacerdote tem, ali, um desses prestígios formidáveis que dominam populações, moldando–as ao sabor de sua vontade.

Para o sertanejo, maior do que o padim pade ciço – só Deus.

E ele, por isso, faz o que entende apoiado por milhares de homens fanatizados.

O clichê que estampamos acima é bem uma prova desse absolutismo do chefe cearense: – representa uma nota de 10.$000, corrente em Juazeiro, impunemente, apezar de provir de emissões clandestinas, feitas ali.
 
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012



ESSA ESTÓRIA PROTAGONIZADA PELO FUNDADOR DO GRUPO "OS CANGACEIROS" GUILHERME LUIS DOS SANTOS, FOI RELATADA POR ROBSON SOARES DA SILVA NO LIVRO “CONCURSOS DE CAUSOS CHESF 50 ANOS”, LANÇADO EM OUTUBRO DE 1998 EM COMEMORAÇÃO AO CINQUENTENÁRIO DA COMPANHIA.
E COMEÇA ASSIM...

Esse causo é muito interessante, porque aconteceu com uma pessoa muito conhecida na cidade de Paulo Afonso-BA, porque além de ele ser mergulhador, era também o Lampião, naquela brincadeira dos cangaceiros que saia todo carnaval em Paulo Afonso, e todos conheciam e ainda conhecem como “Guilherme Cafanguista da CHESF”.

Um dia Guilherme deu uma saída do serviço (saída que na Chesf chamava-se voada), e o chefe começou a procurá-lo por todo lugar, mas não encontrou Guilherme em lugar nenhum.

No outro dia, assim que Guilherme chegou para trabalhar, o chefe já estava esperando, e foi logo dizendo: Guilherme, ontem eu lhe procurei na usina, na tomada d’água, na oficina, na ferramenteira, em todo canto e você não estava.

Guilherme com aquela calma disse: Você me procurou debaixo d’água?

O chefe disse: Não!

Guilherme então fala: Devia ter prucurado, porque onde é que mergulhador trabalha?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Nota de falecimento

O historiador Eric Hobsbawm (1917-2012)
 
O historiador Eric Hobsbawm morreu na manhã desta segunda-feira (1º), aos 95 anos, de acordo com a família. O historiador marxista e escritor estava internado no hospital Royal Free, em Londres, depois de um longo período doente.

"Ele morreu de pneumonia nas primeiras horas da manhã, em Londres", afirmou a filha do historiador, Julia Hobsbawm, em comunidado. "Sua falta será sentida não apenas pela sua mulher há 50 anos, Marlene, e seus três filhos, sete netos e um bisneto, mas também pelos milhares de leitores e estudantes em todo o mundo."

Nascido em 1917, na Alexandria, no Egito, Hobsbawm se tornou conhecido por obras como a "História do século 20" e "A Era dos Extremos", traduzida para mais de 40 idiomas. Filho de pai britânico e de mãe austríaca, mudou-se para Viena quando tinha dois anos, e depois para Berlim. Aos 14 anos, ingressou no Partido Comunista.

Tornou-se membro da Academia Britânica, em 1978, e foi premiado com a Ordem dos Companheiros de Honra, em 1998. Seu último livro foi "Como Mudar o Mundo - Marx e o Marxismo", lançado em 2011.

O intelectual estudou na Universidade de Cambridge e em 1947 se tornou professor na universidade londrina de Birkbeck, onde colaborou durante anos até chegar a sua presidência. Também foi professor convidado na Universidade de Stanford, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e na Universidade de Corne. (Com agências)

 
Pescado no portal: uol
 
Hobsbawm é autor do livro Bandidos que serviu de referencia para vários pesquisadores do tema Cangaço
 
O bandistismo social. Eric Hobsbawm explora as perpectivas políticas do banditismo e sua história no contexto do poder e do controle por parte dos governos e do Estado. O bandido social - Pancho Villa, Lampião, Robien Hood et caetra - é explicado como um rebelde potencial: o elemento social que, estando fora do alcance do poder e sendo ele mesmo detentor de poder, resiste a obedecer.

Um trecho do de "Bandidos".

A economia e a política do banditismo

"O bando de salteadores está fora da ordem social que aprisiona os pobres. É uma irmandade de homens livres, não uma comunidade de pessoas submissas. Contudo, não pode apartar-se inteiramente da sociedade. Suas necessidades e atividades, sua própria existências, fazem com que ele mantenha relações com o sistema econômico, social e político convencional. De modo geral, os observadores desprezam este aspecto do banditismo, mas ele é suficientemente importante para exigir exame.

Examinemos, em primeiro lugar, a economia do banditismo. Os ladrões têm de comer e se abastecer de armas e munições. Têm de gastar o dinheiro que roubam, ou vender os resultados dos saques. A rigor, no mais simples dos casos, eles necessitam de muito pouca coisa, além daquilo que os camponeses ou pastores locais consomem - alimento, bebida e vestuário produzidos localmente - e podem dar-se por satisfeitos por obtê-los em grandes quantidades e sem a labuta do homem comum".
 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Morreu Arlindo Grande, ex-coiteiro de Lampião

Faleceu nessa madrugada de 10 de setembro de 2012 Arlindo Grande, o maior vaqueiro da região de Paulo Afonso e um dos grandes coiteiros de Lampião.
 

Arlindo residia no povoado Várzea, entrada do Raso da Catarina e foi nessa localidade que ele conheceu Lampião e seu grupo, era um menino de 7 anos deparou-se com Lampião, na estrada. Este lhe pediu que subisse na lomba do seu cavalo e o levasse até sua casa. Lá o rei do cangaço conheceu seu Avô João da Varje e seus pais Quinca e Aristéia e apartir deste encontro a sua residência passou a servir de coito e era sempre um dos lugares preferidos pelos cangaceiros para realizarem os famosos bailes.

O velho Arlindo lembrava com saudade que Lampião vinha semanalmente para descansar. "Toda vez que ele chegava tinha festa: Matava-se animais e o Cangaceiro que gostava de forró, logo organizava o baile".

Ele foi casado com dona Nina, irmã do cangaceiro "Bananeira". Em toda região ele ficou mais conhecido como o maior vaqueiro de todos os tempos. Em sua luta com o gado nunca deixou de trazer os animais perdidos dentro do Raso da Catarina, era exímio cavaleiro e entre as caatingas manejava com maestria suas montarias.

Inforamações e foto de João de Sousa Lima
Fonte: http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Gervásio: O soldado rastejador que pertenceu ao grupo de Zé Rufino

Mais uma descoberta do escritor João de Sousa Lima

 
Gervásio e João de Sousa

Encontrado em Jeremoabo o soldado rastejador do grupo de Zé Rufino.
José Silva Lima é o verdadeiro nome de Gervásio.
Gervásio além de rastejador era o degolador de cangaceiros e participou da morte de diversos deles.
Antes de entrar na policia esteve com Lampião na casa de Antonio Martins, na margem do Rio Vaza Barris e por |Lampião foi convidado para ser cangaceiro e não aceitou. Entrou na volante em 1931 com 15 anos de idade. Foi muito amigo dos soldados Murundú e Marancó. Gervásio confirma como sendo coiteiros de Lampião os dois irmãos João Maria e Liberato de Carvalho.
Foi Gervásio quem degolou Zepellin, Pai Véio, Gorgulho e Patativa.
no momento Gervásio encontra-se na casa de um dos filhos em Araci, Bahia. É um homem reservado e só nos recebeu em sua residência por que fomos até ele com um dos filhos mais velho.
Gervásio tem na memória as marcas desse passado ainda recente, guarda lembranças dos momentos dificeis e de terror que passou nas caatingas nordestinas. Daquele tempo ainda guarda o facão da marca jacaré que degolava os cangaceiros.


 Gervásio gesticulando segurar um rifle
Relatando com detalhes como era os combates com os cangaceiros
 

Fonte: http://www.joaodesousalima.com/

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Visita a um dos três últimos ex-cangaceiros vivos- Por João de Sousa Lima



José Alves de Matos, o ex-cangaceiro Vinte e Cinco é um dos três últimos cangaceiros vivos. Ainda lúcido tem uma memória privilegiada e apesar dos seus 95 anos de idade recebe sempre visitas em sua residência para falar do seu tempo de cangaceiro.
Ele lembrou com facilidade que eu havia estado com ele em nosso primeiro encontro há exatos seis anos.

José Alves de Matos nasceu em Paripiranga, Bahia, na fazenda Alagoinha. Teve vários primos e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: Santa Cruz, Pavão, Chumbinho, Ventania e Azulão. No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz entrou no grupo de Mariano.
Vinte e Cinco discutiu com Dadá e saiu do grupo de Corisco para o grupo de Lampião. Podemos vê-lo em foto ao lado de Corisco e em outro momento ao lado de Lampião. Quando da morte de Lampião havia ido com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões e umas munições.

Vinte e Cinco vem de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs e depois seu pai casou novamente e nasceram mais cinco homens e três mulheres.
Vinte e Cinco e João de Souza Lima
 
Quando acabou o cangaço e se entregou com alguns companheiros em Poço Redondo, Sergipe, acabou ficando preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu entrar no estado como Guarda Civil, conseguindo a vaga através de um amigo. Quando o governador Ismar de Góis Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia ficar com ele na guarda pois ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho e o major disse que ele era entre os 38 guardas o melhor profissional que ele tinha. O Secretário resolveu fazer um concurso entre eles e José Alves contratou duas professoras, esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores e quase foi reprovado na parte de tiro, pois era acostumado com o Parabellun e teve que atirar com um 38, só passando depois que atirou com o parabellun e acertou o alvo, depois de duas sequencias de erros com a outra arma. Hoje José alves de Matos é aposentado como funcionário público estadual.
Fonte: http://www.joaodesousalima.com/

domingo, 5 de agosto de 2012

Luiz Gonzaga também é lembrado em Paulo Afonso

O departamento de cultura de Paulo Afonso através de sua diretora Gloria Costa Lira, promoveu nos dias 27/07 até 04/08 mais um merecido memórial em homenagem ao centenário do Rei do Baião, com lançamento do livro 100 Anos Luiz Gonzaga do escritor João de Sousa Lima, além de exposições, palestras e filmes.


Ontem(04/08), a última noite de homenagens ao Rei do Baião, foi celebrada pelo Pe.Celso Anunciação uma Missa de encerramento seguida dos festejos forrozeiros dos acordes das sanfonas na Roda de Sanfoneiros, que abrilhantaram a noite com as principais músicas do Gonzagão. Sendo que, a noite pôde ficar melhor ainda com o presenteamento da sanfona(zero bala) aos Cangaceiros feita pelas mãos da diretora de cultura Gloria Costa Lira. Os Cangaceiros estiveram lá representados pelo presidente da Associação Heleno Oliveira.





Gloria Lira e Heleno Oliveira
A cultura nordestina nas suas mais diversas formas de manifestação é sem dúvida muito rica em história e encantamento, seja nas cantorias, nos artesanatos, na literatura ou nas danças, cada um de nós precisamos manter viva nossas raízes, não permitindo que nossa identidade seja alterada, mas sim apreciada e cada vez mais valorizada.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O cangaço em Paulo Afonso-Pelo professor Aristóteles Lima Santana

Independente do julgamento moral que se faça sobre os cangaceiros não há dúvidas de que o cangaço foi um fenômeno importante da história do nordeste. Nada há que se contestar em quem se dedica ao estudo sobre esse fenômeno. Em Paulo Afonso a influência do cangaço é anterior à emergência deste grupo atual. Desde os anos 50 do século passado um grupocarnavalesco chamado “Os cangaceiros” celebra os combates de Lampião em uma apresentação teatral em época de carnaval. Em várias cidades do sertão o cangaço é reinvidicado como fenômeno cultural típico e não como apologia da criminalidade.

Há, no entanto, dois paradoxos na identificação de Paulo Afonso com o fenômeno do cangaço. O primeiro é de ordem temporal: o povoamento que deu origem à nossa cidade começou com as obras da CHESF em meados dos anos 40. Lampião morreu em 1938 e o fim definitivo do cangaço se dá em 1940 com a morte de Corisco. Se em 1930 alguém dissesse a Lampião que estava indo a Paulo Afonso, ele se lembraria de imediato da famosa cachoeira e nunca desta cidade. Afirmar que Maria Bonita nasceu em Paulo Afonso é o mesmo que afirmar que ela nasceu em uma cidade que não existia em sua época.
Outra questão é que não só Paulo Afonso é uma cidade que surgiu após o fim do cangaço, mas ela é a negação de tudo o que aquele fenômeno significou. O cangaço é produto das contradições do campo, principalmente da concentração de terras, do poder dos coronéis, dos conflitos entre famílias e da miséria do povo sertanejo. A cidade de Paulo Afonso é fruto de um projeto de desenvolvimento industrial e tecnológico. É filha da modernização e, sendo assim, negação completa do tradicionalismo rural. A construção das usinas da CHESF foi um empreendimento fundamental para a industrialização do nordeste. Enquanto o cangaço é representação do arcaísmo rural, Paulo Afonso é representação do progresso urbano. Procura-se em um fenômeno tipicamente rural o símbolo para um ambiente tipicamente urbano.

O que explica a procura pela simbologia do cangaço em nossa cidade é a origem camponesa dos pioneiros trabalhadores. Existe nessa população o que podemos chamar de saudade do mundo rural. É esse saudosismo que explica a origem tanto do bloco “Os cangaceiros” como do recente movimento dos historiadores locais do cangaço.


Cena do filme Baile Perfumado

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Apresentação dos Cangaceiros em Delmiro Gouveia

Os Cangaceiros estiveram neste último dia 29/06 na cidade de Delmiro Gouveia no estado de Alagoas, para mais uma de nossas apresentações. Bem trajados e fortemente armados fizemos o confronto contra as forças Volantes, que, por mais uma vez, aproveitando-se do descuido dos cangaceiros, conseguiram acabar com o bando do Corisco. Veja as fotos abaixo.

 Meia-Noite, Criança, Zabelê e Pedra Roxa

 Dadá
 Corisco

 Zé Baiano


 Volantes


 Coreográfo e também Lampião, Júnior



 Massacrados
 Matando o cangaceiro Pedre Roxa


 Capitão Santos, comandante da volante
Heleno
Presidente da Associação dos Cangaceiros de Paulo Afonso