Os cangaceiros de Paulo Afonso é um grupo cultural que existe há mais de 50 anos na cidade.Levando muita cultura e história ao conhecimento das pessoas,Os Cangaceiros travam batalhas com as volantes que vivem ao encalce de lampião e seus cangaceiros. A história de Virgulino Ferreira é contada pelo grupo de forma concreta e extrovertida. ASSOCIAÇÃO: RUA GENERAL DUTRA,N°528 CENTRO PAULO AFONSO-BA
segunda-feira, 23 de julho de 2012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
O cangaço em Paulo Afonso-Pelo professor Aristóteles Lima Santana
Independente do julgamento moral que se faça sobre os cangaceiros não há dúvidas de que o cangaço foi um fenômeno importante da história do nordeste. Nada há que se contestar em quem se dedica ao estudo sobre esse fenômeno. Em Paulo Afonso a influência do cangaço é anterior à emergência deste grupo atual. Desde os anos 50 do século passado um grupocarnavalesco chamado “Os cangaceiros” celebra os combates de Lampião em uma apresentação teatral em época de carnaval. Em várias cidades do sertão o cangaço é reinvidicado como fenômeno cultural típico e não como apologia da criminalidade.
Há, no entanto, dois paradoxos na identificação de Paulo Afonso com o fenômeno do cangaço. O primeiro é de ordem temporal: o povoamento que deu origem à nossa cidade começou com as obras da CHESF em meados dos anos 40. Lampião morreu em 1938 e o fim definitivo do cangaço se dá em 1940 com a morte de Corisco. Se em 1930 alguém dissesse a Lampião que estava indo a Paulo Afonso, ele se lembraria de imediato da famosa cachoeira e nunca desta cidade. Afirmar que Maria Bonita nasceu em Paulo Afonso é o mesmo que afirmar que ela nasceu em uma cidade que não existia em sua época.
Outra questão é que não só Paulo Afonso é uma cidade que surgiu após o fim do cangaço, mas ela é a negação de tudo o que aquele fenômeno significou. O cangaço é produto das contradições do campo, principalmente da concentração de terras, do poder dos coronéis, dos conflitos entre famílias e da miséria do povo sertanejo. A cidade de Paulo Afonso é fruto de um projeto de desenvolvimento industrial e tecnológico. É filha da modernização e, sendo assim, negação completa do tradicionalismo rural. A construção das usinas da CHESF foi um empreendimento fundamental para a industrialização do nordeste. Enquanto o cangaço é representação do arcaísmo rural, Paulo Afonso é representação do progresso urbano. Procura-se em um fenômeno tipicamente rural o símbolo para um ambiente tipicamente urbano.
O que explica a procura pela simbologia do cangaço em nossa cidade é a origem camponesa dos pioneiros trabalhadores. Existe nessa população o que podemos chamar de saudade do mundo rural. É esse saudosismo que explica a origem tanto do bloco “Os cangaceiros” como do recente movimento dos historiadores locais do cangaço.
Pescado no blog: http://aristoteleslima.blogspot.com.br/2011/07/polemica-sobre-o-cangaco-em-paulo.html?spref=fb (ALMA RUBRA)
Cena do filme Baile Perfumado
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Apresentação dos Cangaceiros em Delmiro Gouveia
Os Cangaceiros estiveram neste último dia 29/06 na cidade de Delmiro Gouveia no estado de Alagoas, para mais uma de nossas apresentações. Bem trajados e fortemente armados fizemos o confronto contra as forças Volantes, que, por mais uma vez, aproveitando-se do descuido dos cangaceiros, conseguiram acabar com o bando do Corisco. Veja as fotos abaixo.
Meia-Noite, Criança, Zabelê e Pedra Roxa
Dadá
Corisco
Zé Baiano
Volantes
Coreográfo e também Lampião, Júnior
Massacrados
Matando o cangaceiro Pedre Roxa
Capitão Santos, comandante da volante
Heleno
Presidente da Associação dos Cangaceiros de Paulo Afonso
sábado, 9 de junho de 2012
Um pouco mais dos Cangaceiros de Paulo Afonso
Cangaceiro Catingueira
Cangaceiros em combate com a volante
Cangaceiro Canário
Cangaceiro Sabonete
Jararaca, Candeeiro, Sabonete, Zé Baiano e Truvão
Volantes e Cangaceiros
Cangaceiro Lavandeira
Cangaceiro Pedra Roxa após ter se entregado a volante em 2011
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Semana Delmiro Gouveia em Paulo Afonso
Pela segunda vez consecutiva, a Semana Delmiro Gouveia acontece em parceria com a cidade de Paulo Afonso, que recebe um dia, dos três da programação. Tradicionalmente realizada em outubro, data do falecimento do grande empreendedor do sertão, excepcionalmente este ano, em razão da movimentação das campanhas eleitorais, os organizadores do evento decidiram antecipar a programação para o início deste mês de junho.
Em sua 15ª edição, a Semana Delmiro Gouveia, que inicia a sua programação em Paulo Afonso neste domingo (03), e segue até o dia 05 em Delmiro (AL), aproveita também para prestar uma homenagem ao centenário de nascimento de Luiz Gonzaga, nosso Rei do Baião.
No auditório da UNEB (Universidade do Estado da Bahia), a partir das 18h, acontece com os antropólogos Luitgarde Barros e Moacir Palmeira, o seminário "Desenvolvimento no Sertão do São Francisco: um projeto centenário". Os estudiosos mostrarão a importância das atividades desenvolvidas por Delmiro Augusto da Cruz Gouveia na região em várias áreas, inclusive o pioneirismo da produção de energia elétrica com a construção da Usina Hidroelétrica de Angiquinho, que completa 100 anos em 2013.
O seminário contará ainda com o diretor administrativo da CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco), Pedro Alcântara, que falará sobre os trabalhos de preservação de Angiquinho, que é patrimônio da CHESF, administrado por convênio pela FUNDEG (Fundação Delmiro Gouveia) e o empenho da hidroelétrica para o seu tombamento a nível nacional.
Após o seminário na UNEB, previsto para encerrar às 20h, a programação da Semana Delmiro Gouveia continua na Praça das Mangueiras, centro da cidade, onde haverá a apresentação de Joquinha Gonzaga, sobrinho de Luiz Gonzaga
Quando acontecerá: 03 de junho(domingo)
Onde: Às 18h na UNEB e após às 20h, na Praça das Mangueiras
Entrada grátuita
domingo, 20 de maio de 2012
Paulo Afonso é notícia na rede record-Por João de Sousa Lima
A Rede Record de televisão encontra-se em Paulo Afonso realizando um programa sobre o turismo na cidade.
no próximo domingo, dia 19 de maio, às 09:00 hs, no Programa "A Bahia Que A Gente Gosta", sairá a reportagem sobre Paulo Afonso.
Os Roteiros Cânions e Lagos", Rota do Cangaço: "Museu Casa de Maria Bonita", Gastronomia: Com a tilápia do restaurante Rancho da Carioca e Artesanato do povoado Malhada Grande, foram alguns pontos visitados pela equipe, contando com a simpatia e o profissionalismo das apresentadoras Ana Portela e Ana Paula.
no próximo domingo, dia 19 de maio, às 09:00 hs, no Programa "A Bahia Que A Gente Gosta", sairá a reportagem sobre Paulo Afonso.
Os Roteiros Cânions e Lagos", Rota do Cangaço: "Museu Casa de Maria Bonita", Gastronomia: Com a tilápia do restaurante Rancho da Carioca e Artesanato do povoado Malhada Grande, foram alguns pontos visitados pela equipe, contando com a simpatia e o profissionalismo das apresentadoras Ana Portela e Ana Paula.
sábado, 12 de maio de 2012
Atores da minissérie Lampião e Maria Bonita, relembram como foi aquele sucesso nacional a 30 anos atrás
Protagonistas da minissérie: Nelson Xavier como Lampião, Tânia Alves como Maria Bonita e José Dumont como Ten.Zé Rufino.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Em um de meus momentos de maluquices (não tinha fumado nada) estavam em meus pensamentos coisas desse tipo:
Após ter sido deixado pela loucura de pensar, ví que sem querer querendo deixei-me talvez ser incorporado por um espírito sei lá qual, mas com certeza era de sertanejo e vaqueiro(e dos bons).
Besteira pura, mas de primeira qualidade também.
Ê sertão de cabra valente!
mas de cabra frouxo também.
... Ê vaqueiro amanssador de gado!
mas de muié braba também.
Ê povinho danado de sofredor!
mas alegre e batalhador também.
Ê terrinha injustiçada!
mas querida e amada também.
Vixe que poeta ruim!
mas sincero e verdadeiro também.
mas de cabra frouxo também.
... Ê vaqueiro amanssador de gado!
mas de muié braba também.
Ê povinho danado de sofredor!
mas alegre e batalhador também.
Ê terrinha injustiçada!
mas querida e amada também.
Vixe que poeta ruim!
mas sincero e verdadeiro também.
Após ter sido deixado pela loucura de pensar, ví que sem querer querendo deixei-me talvez ser incorporado por um espírito sei lá qual, mas com certeza era de sertanejo e vaqueiro(e dos bons).
Besteira pura, mas de primeira qualidade também.
sábado, 28 de abril de 2012
Descoberta em Jeremoabo uma irmã do cangaceiro Criança-Por João de Souza Lima
ex-cangaceiro Criança
Jeremoabo também foi palco da repressão ao cangaço, formando em suas comunidades volantes policiais que perseguiam sem tréguas os cangaceiros, sendo uma das mais famosas a volante comandada por Zé Rufino, um dos maiores matadores de cangaceiros. A cidade serviu de repressão ao mesmo tempo em que foiuma base de proteção através de um dos grandes coronéis daquela época, o famoso coronel e político João Sá.
Jeremoabo foi uma das cidades onde mais se entregaram cangaceiros depois da morte de Lampião, várias fotografias mostram esses cangaceiros na companhia de padres e policiais. Um dos grupos que se entregou em Jeremoabo foi o grupo do cangaceiro Criança. Criança aparece em fotografia ao lado de sua companheira Dulce (ainda viva e residindo em Campinas, São Paulo), Balão e Zé Sereno.
Ao centro a cangaceira Dulce, ao seu lado esquerdo Criança
Criança depois que foi liberado seguiu para o estado mineiro e posteriormente até o estado de São Paulo. Pouca coisa ficou gravada sobre esse cangaceiro e seguindo seu rastro fui encontrar em Jeremoabo, justamente na cidade de repressão ao cangaceirismo, residindo uma Irmã sua.
Joana Matilde Conceição, com 89 anos de vida, encontra-se lúcida e relembra emotiva dos tempos árduos quando com apenas 10 anos de idade viu o irmão João entrar para o cangaço.
Manuel Lourenço Xavier e Maria Matilde da Conceição, pais de dona Joana, residiam no sítio Poço Grande, em Macururé, no alto Sertão baiano. Com as perseguições policiais e os maltrato sofridos, a família teve que fugir e atravessaram o Rio São Francisco, saindo da Barra próxima a Curral dos Bois chegando a Belém do São Francisco, Pernambuco, indo por fim se arrancharem em Santa Maria, povoação entre Belém e Floresta.
Na fuga para o estado pernambucano a família deixou as criações e em um dia de sábado João e os primos Pedro e Feliciano retornaram para tentar reunir e alimentar os animais. Os três jovens não retornaram no prazo determinado. Maria Matilde ficou apreensiva com a falta de noticias dos rapazes.
Em um dia de feira na cidade de Belém, Maria e a família se encontrou com Vicente Baldo da Silva, que era irmão da matriarca e tio de João. Vicente deu a péssima notícia: João e os primos haviam entrado para o cangaço. Maria chorou copiosamente, a família se abraçou e a pequenininha Joana, com seus dez anos de idade não compreendia a situação. Vicente só não contou que foi ele quem ajeitou a entrada dos jovens para o cangaço.
João ganhou no cangaço o apelido de Criança por ser o mais jovem dos três rapazes, o primo Pedro ficou sendo conhecido como Canjica e Feliciano foi apelidado de Zabelê.
Zabelê, Maria, Azulão e Canjica
Dona Maria estava com os filhos Joana, Luiz Lourenço Xavier, Januário e Rosendo estavam na Fazenda Pinhão, próximo a Cabrobró e ficaram sabendo das mortes dos primos Canjica e Zabelê e atravessaram o Rio para Macururé para confirmarem a notícia. Em Macururé as cabeças dos dois cangaceiros foram expostas e a pequena Joana foi proibida de olhar os “Troféus Macabros” . Confirmado a morte dos dois familiares só restou a Maria rezar para a proteção do filho João que ainda estava na vida cangaceira.
Com a morte de Lampião Criança se entregou em Jeremoabo junto com mais alguns companheiros. Na cadeia o padre Magalhães aproveitou para realizar o casamento de Criança e Dulce, o matrimônio sagrada unia sob as grades da prisão dois bandoleiros das caatingas nordestinas.
Em 1968 Joana seguiu com o filho Dudú até São Paulo para visitarem João, o ex-cangaceiro Criança. No reencontro João se emocionou ao avistar a irmã que havia deixado ainda criança. O momento serviu para aliviar a saudade que por tanto tempo afligiu aquela menina-mulher, que em um dia de feira viu sua querida mãe verter lágrimas pela ausência de um filho amado que seguiu para as hostes do cangaço e na imensidão das caatingas viu a morte passar próximo e o sangue manchar a terra seca.
Dona Joana, mulher forte, baraúna sertaneja, flor de cacto que aflora mesmo diante das intempéries, anjo-mulher, que tuas dores sejam aliviadas pelo simples dom de ser uma mulher que aprendeu a amar a vida sem temer as adversidades. Tenho muito orgulho de tê-la conhecido, de ter rastreado suas histórias de vida, de ter conhecido teus segredos tão bem guardados no cofre da memória.
João de Sousa Lima e Maria Matilde da Conceição, irmã do cangaceiro Criança
Fonte: http://www.joaodesousalima.com/
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Escritor João de Souza fala sobre Maria Bonita
Vale à pena conhecer um pouco mais da história de Maria Bonita
confiram o vídeo
terça-feira, 17 de abril de 2012
Lampião e Maria Bonita em imagens que você nunca viu
Imagem real do chefe dos cangaceiros, o cego de Vila Bela, o famigerado Virgulino Ferreira, Lampião. Embora a fotográfia original seja descolorida(preto e branco), com o auxílio tecnólogico pôde-se colorir, chegando a perfeita exatidão das cores das vestes de Lampião e também da cor de sua pele.
Mais uma das tradicionais fotográfias de Lampião. Nota-se nitidamente as peças de ouro na testeira de seu chapéu.
Maria Bonita(imagem real colorida por computador)
sábado, 7 de abril de 2012
De Luz, o matador de Jurity por: Alcino Alves Costa
Em nossos livros “Lampião além da versão” e “O Sertão de Lampião”, existe em cada um deles um capítulo discorrendo sobre a vida e morte de Deluz e de Juriti, este assassinado cruelmente pelo famoso e temido sargento, então delegado de Canindé de São Francisco. No “O Sertão de Lampião”, a página 269, está o capítulo “A morte do sargento Deluz” e no “Lampião além da versão, a página 345, está o capítulo “Juriti: perverso na vida, valente na morte”.
Amâncio Ferreira da Silva era o verdadeiro nome do sargento Deluz. Nascido no dia 11 de agosto de 1905, este pernambucano ainda muito jovem arribou para o Estado de Sergipe, indo prestar os seus serviços na polícia militar sergipana. Os tempos tenebrosos do banditismo levaram Deluz para o último porto navegável do Velho Chico, o arruado do Canindé Velho de Baixo. Por ser um militar extremamente genioso, violento e perverso, ganha notoriedade em toda linha do São Francisco e pelas bibocas das caatingas do sertão. Dos tempos do cangaço ficou na história, e está registrada no livro “Lampião em Sergipe”, o espancamento injusto que ele deu no pai de Adília e Delicado, o velho João Mulatinho, deixando-o para sempre aleijado.
No pós-cangaço, sem jamais sair de Canindé, também ficaram na história aquelas versões de que os assaltantes de Propriá quando presos eram entregues a Deluz e ele ao transportá-los em canoas que faziam o trajeto Propriá/Canindé, prendia as mãos dos prisioneiros e amarrava uma pedra nos pés dos mesmos jogando-os dentro do rio. Um de seus maiores prazeres era caçar ex-cangaceiro para matá-los sem perdão e sem piedade. Foi o que fez com Juriti, prendendo-o na fazenda Pedra D`água e o assassinando de maneira vil e abjeta jogando-o em uma fogueira nas proximidades da fazenda Cuiabá. Foi em virtude de desavenças com o seu sogro, o pai de Dalva, sua esposa, que naquele dia 30 de setembro de 1952, quando viajava de sua fazenda Araticum para o Canindé Velho de Baixo, se viu tocaiado e morto com vários tiros. Morte atribuída ao velho pai de Dalva, o senhor João Marinho, proprietário da famosa fazenda Brejo, no hoje município de Canindé de São Francisco.
Jurity ao centro
Diz à história que João Marinho foi o mandante, chegando até ser preso; e seu genro João Maria Valadão, casado com Mariinha, irmã de Dalva, portanto cunhado de Deluz, ainda vivo até a feitura desse artigo, com seus 96 anos de idade, completados no mês de dezembro de 2011, foi quem tocaiou e matou o célebre militar e delegado que aterrorizou Canindé e o Sertão do São Francisco.
Foi o sargento Deluz o matador de Manoel Pereira de Azevedo, o perverso e famoso Juriti. Manoel Pereira de Azevedo era um baiano lá das bandas do Salgado do Melão. Um dia arribou de seu inóspito sertão e viajou para as terras do Sertão do São Francisco, indo ser cangaceiro de Lampião, recebendo o nome de guerra de Juriti.
Este cangaceiro possuía uma aparência física impressionante. O seu porte atlético abismava as mocinhas sertanejas que se derramavam em desejos para receber os seus carinhos e o seu amor. Contrapondo a toda essa atração que despertava nas jovens, Juriti carregava em seu sentimento e em sua alma um extremado pendor para brutais violências; cangaceiro de atitudes monstruosas sentia especial prazer em torturar e assassinar com requintes animalescos as infelizes vítimas que caiam em suas mãos, como aconteceu com José Machado Feitosa, o rapaz de Poço Redondo que ele após torturá-lo medonhamente, o assassinou com uma punhalada em seu pescoço.
Em pouco tempo Juriti angariou extraordinária fama. A fama de ser um cangaceiro que deixava as mocinhas sertanejas loucas de paixão e a fama de ser um assecla perverso ao extremo. Uma menina-moça, chamada Maria, filha de Manoel Jerônimo e Àurea, irmã de Delfina da Pedra D`água, deixou-o alucinado. Aquela ardente paixão foi recíproca. E o jamais imaginado pelos seus pais aconteceu. A menina de Mané de Aura deixou seu lar, seus pais e se jogou no mundo. Os seus sonhos e a sua ilusão era passar a viver nos braços do tão falado e comentado cabra de Lampião.
Na Grota de Angico vamos encontrar Juriti e Maria vivendo aquele instante de suprema agonia. Lampião, Maria Bonita e seus companheiros foram abraçados pela morte. Sem o grande chefe o viver cangaceiro não era possível. Os bandos espalhados pelas caatingas foram se desfazendo. Alguns fugiram e outros se entregaram as autoridades de Alagoas e Bahia.
cangaceiros após se entregarem a polícia depois da morte de Lampião
Jurity é um deles
Juriti seguiu o mesmo caminho de muitos. Após enviar a sua Maria para a proteção do pai e a ajuda do amigo Rosalvo Marinho que a levaram para Jeremoabo, onde ela foi recebida e bem tratada pelo capitão Aníbal Ferreira que deixando o papai surpreso e feliz liberou a sua filha para que com ele retornasse para sua casa e para o aconchego de sua família. Ainda mais. Solicitou a ajuda de Maria, do pai e de Rosalvo Marinho para que ambos fizessem com que Juriti e seus companheiros também viessem se entregar.
Juriti e Borboleta são convencidos pelo amigo da Pedra D`água e também seguem para Jeremoabo onde se entregam ao capitão Aníbal. Recebem o mesmo presente que Maria recebeu. São liberados. Borboleta joga-se na “lapa do mundo” e nunca mais se soube notícias dele. Talvez não esquecendo a sua Maria, Juriti se demora alguns dias no Canindé Velho de Baixo, porém no início de 1939 viaja para Salvador a capital baiana.
Em Salvador consegue trabalhar como vigia de um fábrica. Em 1941 é despedido do trabalho e retorna para o sertão de Sergipe. É seu desejo visitar os amigos da Pedra D`água, obter notícias de sua antiga companheira e seguir viagem para o Salgado do Melão, a sua terra de nascimento. Chegou ao último porto do Baixo São Francisco em uma quarta-feira e seguiu para a fazenda de Rosalvo Marinho, onde se “arranchou” e dormiu.
O sargento Deluz foi avisado da inesperada presença de Juriti na casa de seu cunhado Rosalvo Marinho. O sentimento impiedoso do militar não perdoava ex-cangaceiro. Juriti teria que pagar todos os crimes praticados durante sua vida no cangaço, e ele seria o juiz que iria condená-lo a morte.
Assim foi feito. A quinta-feira amanheceu e ainda muito cedo o café foi servido. Juriti conversa animado com seu amigo Rosalvo. Deluz e seus “rapazes” haviam cercado a casa. Surpreso, Juriti se vê na mira das armas dos atacantes e é imediatamente preso. Sorrindo, Deluz diz: “Mais qui surpresa! Nunca pensei qui Juriti fosse um pásso tom manso, tom faci de ser agarrado. Teje preso cabra. Eu num quero cangaceiro perto de mim não”.
Juriti se recompõe da surpresa e desafia Deluz, dizendo: “Deluz, você é covardi. Eu sei quem você é. Um covardi. Mostri qui é homi e mi sorte. Só assim você vai ficar sabeno quem sou eu. Vamu, mi sorti, covardi. Você é um covardi”. Amarrado a uma corda, Deluz transporta Juriti na direção de Canindé. Ao chegar a uma localidade chamada Roça da Velhinha, nas proximidades da fazenda Cuiabá, o sargento, friamente, ordena que se faça uma fogueira e quando as labaredas começam a lamber a caatinga e torrar a mataria e o chão daquele triste cenário da vida sertaneja, Juriti é jogado, sem dó e sem piedade no meio do fogaréu. Em poucos minutos o corpo do antigo cangaceiro havia se transformado em um monte de cinzas. Ficando, por várias décadas, como testemunha daquele medonho momento os botões da braguilha da calça de Juriti, além do negrume deixado pelo fogo no local do monstruoso assassinato do antigo Manoel Pereira de Azevedo, do Salgado do Melão.
Alcino Alves Costa
O Caipira do Poço Redondo
Sócio da SBEC - Conselheiro Cariri Cangaço
sábado, 31 de março de 2012
Coisas do cangaço
Hoje 1° de abril, podemos familiarizar este dia com os fatos do cangaço, que por inúmeras vezes se contradizem de acordo com as descobertas de cada pesquisador. Cada um tem seu ponto de vista, porém, cada fato ocorrido naquele tempo, certamente só aconteceu uma vez cada, acontece que as verssões são modificadas e acabam gerando dúvidas na cabeça de quem acompanha a história.
Esperamos um dia vê a mesma história ser contada igual por todos os pesquisadores. Escritores competentes, que relatam as façanhas dos cangaceiros e volantes, certamente nós temos muitos. Aliás são dignos de premiações, reconhecemos que sair pelo sertão a procura de informações sobre cangaceiros, não é nada fácil.
Esperamos um dia vê a mesma história ser contada igual por todos os pesquisadores. Escritores competentes, que relatam as façanhas dos cangaceiros e volantes, certamente nós temos muitos. Aliás são dignos de premiações, reconhecemos que sair pelo sertão a procura de informações sobre cangaceiros, não é nada fácil.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Usina Hidrelétrica Angiquinho
Angiquinho é o nome dado à primeira usina hidrelétrica do nordeste, localizada na margem alagoana da cachoeira de Paulo Afonso, no Rio São Francisco.
Inaugurada em 26 de Janeiro de 1913 pelo então empresário Delmiro Gouveia, 1ª Hidrelétrica da Cachoeira de Paulo Afonso e a 1.ª do Nordeste tinha como objetivo fornecer energia elétrica a uma grande indústria têxtil chamada de Companhia Agro Fabril Mercantil localizada na cidade de Pedra (hoje Delmiro Gouveia). Sua energia era bastante também para alimentar uma bomba d'água que abastecia a mesma cidade, distante aproximadamente 24 km da cachoeira. A usina de Angiquinho fica a poucos quilômetros de Paulo Afonso, na Bahia.
Para construir Angiquinho, Delmiro foi à Europa adquirir o maquinário necessário, e acabou por contratar um engenheiro italiano, Luigi Borella, para projetar a empreitada. Também foram contratos engenheiros e técnicos franceses para montar a Usina. Conta a história que ao verem a localização da casa de máquinas da Usina (que era encravada no paredão do cânios do rio) não hesitaram em tentar recuar sendo barrados por Delmiro que o obrigaram a descer em um elevador improvisado por cordas trançadas de couro, debaixo da mira de uma arma. Como a casa de máquinas da usina ficaria no paredão do cânion do rio São Francisco — local de difícil acesso —, houve quem duvidasse do sucesso da obra.
Clássica fotográfia de Delmiro Gouveia
Coronel Delmiro Gouveia
Por intermédio da CHESF e da prefeitura de Delmiro Gouveia, está sendo executado um projeto de recuperação que prevê a restauração total da usina, da Furna dos Morcegos (onde dizem que Lampião se escondeu - contudo a presença dos cangaceiros na área de Angiquinho já foi praticamente desmentida, pois não se encontrou qualquer indício dessa passagem e depoimentos de cangaceiros do bando afirmaram que nunca estiveram naquela área. Além disso, seria incoerente um bando tão articulado como o de Lampião se esconder em um local que tem apenas uma única entrada) e de um elevador que leva à caverna. Foram gastos aproximadamente para a recuperação da área R$ 1.500.000,00 ( um milhão e quinhentos mil reais)
Segundo o projeto de recuperação denominado “Projeto de gestão de Angiquinho”, a usina será transformada em um ponto de visitação turística, que além de proporcionar ao turista comum uma vista diferenciada da cachoeira, irá também atrair o turismo técnico também com foco histórico, educacional, ambiental e cultural. Este projeto trás uma grande oportunidade para os interessados na área conhecer a história da eletricidade do Brasil. Para proteger esse patrimônio da Usina e do ambiente natural através leis especificas, foi incluindo no projeto o tombamento histórico de toda área ao redor da Usina e a Através da Fundação Delmiro Gouveia o sítio foi tombando pelo Governo do Estado espera-se agora o tombamento nacional.
Usina de Angiquinho nas margens do Rio São Francisco
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